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Pesquisa avalia potencial de efeito antiviral de compostos contra o vírus dengue-2

Publicado: Quinta, 06 de Junho de 2019, 09h34 | Última atualização em Quinta, 06 de Junho de 2019, 09h58

Foto da chamada: Divulgação/Fiocruz

Entra ano e sai ano, os brasileiros assistem ao fracasso dos esforços das autoridades de saúde e da população no sentido de combater a propagação dos vetores da dengue, ou seja, dos mosquitos que transmitem a doença – principalmente o Aedes aegypti. Os resultados são os sucessivos surtos da doença e a vitimização de muitos de brasileiros, refletida em números assustadores frequentemente reiterados pela mídia. Este contexto tão preocupante para a saúde pública do país evidencia, para além das medidas preventivas de propagação do mosquito transmissor da doença, a importância de pesquisas com vistas à prevenção e ao tratamento da dengue.

Este último é foco do trabalho premiado em primeiro lugar no VIII Seminário de Iniciação Científica (SIC) do IFNMG na área de Ciências Biológicas: “Avaliação do Potencial Efeito Antiviral de Compostos Derivados das Indan-1,3-Dionas Contra o Vírus Dengue-2”. A autoria é dos alunos do curso técnico em Informática do IFNMG-Campus Diamantina Pedro Henrique Barroso e Vívian Barroso Santos; dos alunos da Universidade Federal de Viçosa Edjon Gonçalves Santos e Lara Cola Carlete; e dos professores do IFNMG André Silva de Oliveira e Ana Flávia Costa da Silveira Oliveira. Para o estudante Pedro Henrique, que participou da pesquisa enquanto bolsista de iniciação científica, o projeto é muito importante diante da epidemia de dengue que está acontecendo no país. Mas, para ele, a relevância do trabalho vai além: “Acho que é de importância não apenas nacional, mas mundial, visto que se trata de uma doença que vem se espalhando de forma muito expressiva.”

A dengue é uma doença infecciosa causada por um vírus da família Flaviviridae, do gênero Flavivirus, que apresenta quatro sorotipos, ou seja, quatro tipos ou grupos que se distinguem entre si por apresentarem repostas diversas a diferentes anticorpos. Eles são chamados DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. O estudo apresentado no SIC teve como foco o vírus dengue-2 ou  DENV-2.

A pesquisa partiu de dois princípios, já difundidos no meio científico. O primeiro deles é de que a inibição das enzimas virais é uma das formais mais bem-sucedidas de abordagem para a descoberta de drogas contra as doenças causadas por esses vírus. Isso porque, com a inibição de suas enzimas, os vírus não conseguem completar seu ciclo replicativo dentro do organismo hospedeiro – no caso do vírus da dengue, dentro dos humanos. O outro princípio em que os pesquisadores se basearam foi que a enzima protease é o principal e mais eficiente alvo antiviral.

A partir daí, os pesquisadores passaram a procurar compostos químicos que têm capacidade de inibir a atividade da protease do vírus da dengue e que podem “se tornar uma potencial alternativa para o tratamento e controle da doença”. As análises foram realizadas in silico, ou seja, por meio de simulação computacional. Por meio de recursos avançados de computação, como softwares de modelagem molecular, e bancos de dados públicos que disponibilizam informações científicas, os pesquisadores analisaram 61 compostos – derivados da indan-1,3-diona – como “candidatos antivirais para a protease do vírus dengue-2”. Os programas permitiram simular as possíveis ligações entre esses compostos testados e a protease do vírus dengue-2. Conforme exposto no resumo do trabalho, entre os compostos testados, “duas moléculas apresentaram resultados promissores indicando serem possíveis candidatas antivirais”.

O uso dos avançados recursos de bioinformática, como os que foram empregados nesse estudo, significam economia de tempo e recursos. No entanto, a pesquisa não pode parar por aí. De acordo com os autores do trabalho, ensaios in vitro (em laboratório) e in vivo (em seres vivos) deverão ser realizados com os compostos que se mostraram promissores nas análises in silico, para validação dos resultados obtidos. Além disso, segundo eles, também é indicada a realização de ensaios in silico com outra enzima viral, a polimerase viral, que “também é um importante alvo antiviral para Flavivirus”, família que inclui vírus de importância epidemiológica, como o da zika e o da febre amarela.

Para mais informações sobre a pesquisa, acesse o resumo do trabalho premiado no VIII SIC, na área de Ciências Biológicas.

 

 

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